quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Missão
Daquela modesta residência, num trabalho silencioso e obscuro, auxiliada por suas companheiras, ela saía para visitar os doentes nas pensões e tugúrios, confortá-los em seus sofrimentos, levar-lhes o lenitivo da fé e da esperança.
Dulce e suas companheiras na pensão
Corria já o ano de 1928. O trabalho continuava, com muito fervor e alegria. O número de doentes que procuravam o Pensionato aumentava... E os dias passavam rapidamente... A notícia da breve partida chegou também ao conhecimento do Pe. Henrique de Barros. Já conhecia bem a obra, seu carisma especial; como missionário havia avaliado o bem que se ia realizando. Movido pelo Espírito do Senhor, passou pela porta do Pensionato e, no rápido encontro com Dulce, sem mesmo entrar, como fazia sempre, disse-lhe apenas: “Seu lugar é aqui, junto das moças tuberculosas!” Era o recado do céu... Dulce o compreendeu.
 Padre Ascânio Brandão
Pe. Ascânio Brandão (vide foto acima), Secretário do Bispo de Taubaté, Dom Epaminondas, ia trabalhando entre as Pensionistas, com conselhos e animações, com livros e boas leituras que trazia ao Pensionato. E as doentinhas iam chegando...e entre elas as primeiras companheiras de ideal iam surgindo também...
 Santinha
Desde 1927 residia no Pensionato, como doente, uma jovem, a quem “ainda pequenina, por seu natural manso e bom, por sua índole dócil e humilde, chamavam de ‘Santinha’” Estas palavras escritas mais tarde por Dulce, bem definiam a figura de Maria da Conceição Portugal e Souza, que um dia se chamará Irmã Maria da Sagrada Face. Será com muito carinho que Dulce traçará o verdadeiro retrato dessa jovem, em uma pequena biografia escrita após a sua morte, e na qual descreve todo o desabrochar de sua vida espiritual. A 15 de agosto de 1929 fizeram as duas, privadamente, os votos religiosos e se propuseram um regulamento de vida comum, sem saber bem definir o que o Senhor lhes reservava.
Dom Epaminondas
Em Taubaté, no seu humilde palácio, um santo Bispo preocupava-se com o abandono espiritual em que viviam os doentes. Sonhava com uma Associação Religiosa. Seu silencioso mas fecundo apostolado, tão simples e despretensioso, chegou um dia aos ouvidos do santo Bispo. Pe. Ascânio Brandão, seu Secretário Particular, havia levado ao Pastor a notícia daquela jovem que, com algumas companheiras, realizava trabalho tão precioso, junto aos doentes. Quis conhecê-la. Pediu ao Secretário que a trouxesse a Taubaté. Na jovem e em suas companheiras, ele reconheceu o instrumento hábil para a concretização de seus anseios de Pastor zeloso. Com simplicidade ele lhes disse: “Desejo ardentemente uma Congregação Diocesana para as obras de caridade. Vamos ver se com as senhoras realizarei esse ideal. Vamos rezar e consultar a vontade de Deus!” Por sua vez Dulce, com filial confiança lhe expôs seus trabalhos e seus planos. Dom Epaminondas pediu-lhe que lhe apresentasse por escrito, em linhas gerais, seu pensamento sobre a possível fundação. ossanto Coração. Uma fundação! como me atemorizava essa idéia e como procurava repeli-la até que a voz autorizada do vosso Ministro veio ao encontro do meu pensamento e disse-me tudo o que eu não ousava dizer e nem pensar! como foi grande a minha emoção, pois nisso reconheço um efeito de vossa vontade, querendo benignamente oferecer à minha alma a prova de que éreis vós a fonte das minhas inspirações! Sede, ó Jesus, para sempre louvado e bendito!...”
Após a morte de Dom Epaminondas, acompanhada com solicitude pelo novo Pastor, sob a direção espiritual do coração amigo do Pe. Ascânio Brandão, Madre Teresa lançou-se à difícil tarefa de estruturar, em bases sólidas e seguras, a espiritualidade da Congregação e sua maneira de ser no meio do Povo de Deus. Seus momentos... Chegava-se ao final do ano de 1971. Com muito carinho, como se tivesse mais pressa em preparar as festividades do santo Natal, a Madre queria a tudo supervisionar e tudo determinar para as celebrações, como sempre o fizera. Sem esquecer ninguém... As forças, contudo, estavam diminuindo... E, a 22 de dezembro caiu gravemente enferma. Plenamente consciente, a tudo acompanhava, abandonada inteiramente nas mãos dos que dela cuidavam, abençoando-os com carinho. Com segurança e lucidez, deixou às suas filhas seu testamento espiritual. Claramente pronunciou:
Testamento Espiritual
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