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sábado, 19 de maio de 2012
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 Via da Infância
Mestra Espiritual
Em vários momentos Madre Teresa chama Santa Teresinha Mestra e Modelo da Congregação. A sua permanente insistência sobre o Caminho da Infância Espiritual marca a vida das Pequenas Missionárias. Uma vida simples, feita de fidelidade às pequenas coisas. Nada que chame a atenção: nem penitências, nem grandes obras; é viver a fidelidade ao momento presente que dá sentido à vida.
 
Nos escritos de Madre Teresa há umas teclas que são tocadas sem parar; poderíamos dizer que constituem o pano de fundo do carisma da Congregação e que têm como ponto de referência Santa Teresinha do Menino Jesus.
 
Nestas páginas “Via da Infância” você terá acesso a algumas conferencias de Madre Teresa sobre a espiritualidade de Santa Teresinha, onde poderemos aprender juntos a imitar as virtudes da Doutora da Igreja no cotidiano simples da vida.
 
Humildade e Confiança
Vemos a Via de Infância que ela é delimitada por duas linhas paralelas:
 
1. Uma linha é o espírito de humildade, esse reconhecimento do seu nada, de sua fraqueza absoluta. A criança sente-se fraca, sente que não vale nada, que por si mesma não é capaz de coisa alguma, que depende em tudo dos pais. Devemos transportar para o espiritual esses sentimentos da criança: em matéria de espiritual não valemos nada, absolutamente nada por nós mesmas. Essa convicção deve estar arraigada profundamente em nosso coração. Ora, é ser heróica ter e aceitar essa convicção. Ninguém quer convencer-se disso; precisa cair uma e muitas vezes até poder ver bem a sua miséria e impotência (...) É só caindo muitas vezes, que chegamos a nos conhecer bem. Por isso Nosso Senhor deixa-nos cair tanto, para que vejamos bem nossa miséria e impotência, do contrário, o nosso orgulho nos iludiria. (...) Nosso Senhor nos deixa bem nos nossos trapos, caindo uma porção de vezes para nos convencermos disso. Depois, é só então, Ele vem com seu socorro e nos levanta. Daí vem a certeza de que não fomos nós que praticamos a virtude, mas Jesus é força da nossa fraqueza. Portanto, firmemos bem a 1ª linha deste caminho – eu não sou nada, não valho nada senão miséria e fraqueza. Por isso vou desanimar/ Vou me sentar pensando: “Eu prometo, eu luto e não consigo nada mesmo...” Vou ficar chorando? É claro que não! Vem, então a outra linha, o outro lado do Caminho:
 
2. A confiança em Deus. O caminho é paralelo – ao mesmo tempo que eu tenho convicção absoluta da minha miséria, eu tenho igualmente uma confiança cega, absoluta em Deus. Ele não se espanta da minha fraqueza, basta que eu apareça diante dele com essa convicção, não aborrecida, mas contente, feliz, não por praticar e cair em tantas faltas, pois isso deve produzir em mim um sentimento de dor e compunção, mas contente de não ser capaz de praticar um ato sequer de virtude, precisando a cada hora do auxílio e socorro de Deus.
 
Daí nasce espontaneamente o sentimento de filiação divina. Deus, como criador de todas as coisas, vela por elas e as conserva com amor, mesmo nos seres inferiores. Eu não sou como esses seres inferiores, e se Deus é providência para eles, é muito mais para mim. Ele é meu Pai e Jesus, o Filho de Deus, fazendo-se Homem, tornou-se meu Irmão, fazendo-me com Ele co-herdeiro da glória do céu.
 
Deus é meu Pai. Devo firmar bem em mim este sentimento: “Eu tenho no céu um Pai que se interessa por mim, com carinho de um Pai verdadeiro e a onipotência de um Deus. Eu sei que Deus me ama, tudo me fala desse amor do meu Deus para com sua pobre criatura, e isso deve me bastar. Sei que Ele quer a minha santificação. Eu tenho a boa vontade de querer o bem, embora cheia de misérias e imperfeições. De outro lado, tenho a confiança cega de que Deus me dará todas as graças necessárias; no meio desse caminho estou eu. Se a humildade me abate, me faz reconhecer a minha fraqueza, a confiança me eleva e me faz repousar como criança impotente no braços do meu Deus. Desse modo voarei no caminho da perfeição.
 
É preciso que eu caminhe no meio destas duas linhas em perfeito equilíbrio. Se eu só tivesse confiança, cairia da presunção: “ Meu Pai me ama, é onipotente, não preciso me esforçar. Ele fará tudo!” Isso é errado.
 
Se porém eu só tivesse o conhecimento do meu nada, sem a confiança, cairia no extremo oposto: o desânimo, que aperta a alma e não a deixa progredir no caminho da virtude.
 
Eu sou nada, é verdade, mas faço o esforço que depende de mim para atingir a perfeição. Deus não quer senão este esforço. É o que Santa Teresinha conta a respeito da criancinha que quer subir uma escada. No alto da mesma ela vê a sua mãe; certa de que sozinha nunca poderá subir, ela chama: “Mamãe, mamãe!” Ela sabe que não sobre mesmo, mas levanta o pezinho mesmo assim. E a mãe, porque vê o esforço da filhinha, se apressa a vir buscá-la e logo a estreita em seus braços. Eis a essência da Infância Espiritual: a criança reconhece o seu nada, a sua incapacidade, mas se esforça e confia na mãe. Em síntese: reconhece, confia, faz esforço. Eis o que Deus espera de nós. É o simples ato da criança, simplicidade, confiança amorosa. Ela sente que é filha e a mãe a ama porque é fraca e pequenina; se fosse grande, por certo não mereceria tanto amor.